quinta-feira, abril 10, 2008

Patti Smith na Fundação Cartier

Passaram quarenta anos e Patti Smith (n.1946) regressa a Montparnasse, ao Boulevard Raspail onde agora fica a Fundação Cartier. Em Nova Iorque, para onde foi viver em 1967, Patti sonhava com Paris. Em Nova Iorque aprendeu poesia e política a ouvir MC5, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Bob Dylan. Vivia-se sob o receio da bomba atómica e protestava-se contra a guerra do Vietname. “Não tínhamos praticamente nada, nem Internet, nem telemóvel, nem televisão nem cartões de crédito. Era uma época muito pouco materialista onde as ideias primavam. Os músicos não viviam obcecados com a celebridade. Eu e Robert Mapplethorpe, partilhávamos um quarto minúsculo no Hotel Chelsea.
Malanga, Patti Smith e Robert Mapplethorpe, 1967
Encontravamo-nos com Allen Ginsberg, William Burroughs, Greggory Corso, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Carrol, Sam Shepard. Era uma época muito estimulante, cada um falava do seu trabalho e discutíamos”, comenta Smith numa entrevista recente à Art Press. Em 69, Patti realiza o seu sonho, vai viver em Montparnasse, perto de onde é hoje a Fundação Cartier, na cidade onde as ideias primavam:
Mai 1968: Les murs ont la parole

A exposição “Land 250”, que se inspira no nome da Polaroid de Smith, (gosto da sua simplicidade técnica diz Smith),
mostra uma retrospectiva dos desenhos, música, filmes, escrita, colagens, fotografias, que a artista foi fazendo ao longo da sua vida
Patti Smith, "Sofá, Hotel Brest"; "Exposição Agnès Varda"; "Air India, Aeroporto"
e a livraria da Fundação transformou-se provisoriamente na biblioteca pessoal de Smith,, com os seus livros, discos e filmes.

No edifício transparente, onde do exterior se vê o jardim interior e onde na fachada se duplicam as árvores do Boulevard Raspail, é do agrado da artista, mas não nos espanta que seja, basta olharmos para as suas fotografias.
Patti Smith, Winged Horse, Palau de la Música, Barcelona, spain, 2004

Uma vez, no Palau de la Música em Barcelona, onde testava o som, vi este cavalo de gesso que parecia sobrevoar o palco. Subi a um escadote e tirei esta fotografia”.Patti Smith
Patti Smith, Máquina de escrever Herman Hesse

As suas paixões não se restringem aos familiares e amigos e aos amigos que morreram, alarga-se aos artistas que nunca conheceu mas que alimentam o seu espírito: “Procuro um parentesco, uma fraternidade”, diz Smith quando fala de Arthur Rimbaud, Virgínia Woolf, Herman Hesse…
Patti Smith, Virginia Woolf's Bed 2, Monk's House, East Sussex, 2003
Em Inglaterra em East Sussex, visitei Monk’s House, a casa de Leonard e Virgínia Woolf. Tive acesso ao seu minúsculo quarto. A cama de Virgínia está coberta com uma colcha de linho branco. Estive sozinha no quarto, e só tirei duas fotografias. A luz era fraca, fiquei no quarto durante muito tempo. Pedi-lhe que me ajudasse e ela ajudou-me”, Patti Smith.
Patti Smith, Rimbaud Family Atlas, Rimbaud Museum, Charleville, France, 2004

"Em Charleville, França, o local onde o poeta Arthur Rimbaud nasceu, tive o privilégio de fotografar os seus pertences que hoje estão num museu local. O seu lenço, utensílios e o seu Atlas. A luz fluorescente era terrível, foi uma experiência difícil. Tirei duas fotografias de Atlas, uma delas nesta página do título, que é muito bonita”, Patti Smith.
Patti Smith, Nureyev's Slippers, 1995

Nos anos noventa, após a morte do meu marido e do meu irmão, comecei a ficar obcecada com alguns dos seus objectos pessoais, muitos objectos parecem ter o espírito da pessoa. Em 1995, no meu quarto no Michigan, tirei esta fotografia ás sapatilhas de Nureyev. Coloquei-as de baixo de uma rede de mosquito à luz da manhã. É a minha homenagem a este grande bailarino”,Patti Smith.
Patti Smith, Percy Bysshe Shelley's Grave, Rome, 2005

Em Roma, eu e o meu amigo Stefano visitámos a campa de Gregory Corso, que ficava junto à do seu amado Percy Bysshe Shelley. Só tinha uma fotografia, e queria tirar à campa de Corso, mas não senti que ele estivesse ali. “He’s hanging out with Shelley” disse. Tirei então uma fotografia à campa de Shelley. Quando mostrei a fotografia a Stefano, ele apontou para a luz a dançar e gritou “Patti, it is Gregory”. Patti Smith

Na exposição, onde domina a fotografia, muitas são da sua vida íntima,
Patti Smith, Fato de casamento
outras serviram de modelo, como esta estátua para o treino do desenho.
Patti Smith
Nas digressões que faz, leva sempre a máquina, para documentar a vida na estrada,
Patti Smith
pois gosta de guardar o momento de cada lugar por onde passa.

Em relação à fotografia, Patti diz ser uma amadora, “conheço a história da fotografia”, mas as suas fotografias são acima de tudo um diário visual da sua vida.

Mas falar de Patti sem ouvir a sua música, seria imperdoável. Quando Patti se apaixonou pelo marido, escreveu “Dancing Barefoot” e “Because the Night”, entre tantas outras.

Ser artista é nunca estar satisfeita, temos de transformar tudo constantemente”.
Robert Mapplethorpe, Patti Smith, 1979

2 comentários:

Yan disse...

patti smith math scratch

lídia disse...

vim cá ter por causa da patti smith e achei um excelente blogue :-)