sexta-feira, agosto 15, 2008

As ex-Repúblicas da URSS

A 2 de Maio de 1945 as tropas russas entravam em Berlim. No telhado do Reichstag, o fotógrafo que trabalhava para a agência Tass, Evgueni Khaldei,(1917-1997), encenava dias depois, a fotografia que viria a tornar-se no símbolo da derrota do nazismo. A Europa, outrora o centro do Mundo, reduzia-se a um mero enclave entre Washington e Moscovo.

Evgueni Khaldei, Moscovo, c.1950, Col. Ernst Volland

Nesses anos, Moscovo, que vivia fechada do resto do mundo, olhava então para si, para a sua grandeza, tal como Khaldei a fotografou nesses gloriosos anos que se seguiram à Segunda Grande Guerra.


Evgueni Khaldei, Moscovo, c.1950, Col. Ernst Volland


Evgueni Khaldei, Fábrica de turbinas em Leningrad, 1960, Col. Ernst Volland


Evgueni Khaldei, Moscovo, 1970, Col. Ernst Volland

As duas potências mundiais, URSS e a América, desafiavam-se. A 12 de Abril de 1961, Iouri Gasgarine, o astronauta soviético, efectuava o primeiro voo no espaço, por sua vez, o astronauta americano, Neil Armstrong, pisava pela primeira vez o solo lunar a 20 de Julho de 1969.

Evgueni Khaldei, escultura do astronauta Iouri Gasgarine, 1963, Col. Ernst Volland

A 9 de Novembro de 1989, o muro, que separava a cidade de Berlim ruía – Mikhaïl Gorbatchev, provava, pela tolerância que demonstrava nas negociações da reunificação alemã, não só a sua vontade de por fim à guerra fria como de transformar a Europa numa nova ordem. Espantosamente a Europa, de Thatcher a Mitterand, temeu o colapso da organização estável e familiar que conheciam, e a primeira reacção, depois da euforia dos primeiros dias, foi bloquear a unificação proposta por Helmut Kohl, que percebeu a urgência da unificação do país.

Ao ceder à Alemanha, Gorbachev contribuía para o seu próprio declínio e de facto, uma Alemanha unida no seio da NATO, foi o fim da sua “perestroika”. O rastilho da independência não só se estendeu aos restantes Estados-satélites do Leste europeu, como se alastrou dentro das suas próprias fronteiras. Em 1922, a União Soviética crescera anexando muitos dos territórios estrangeiros à Rússia e estendia-se por uma área com onze fusos horários e dezenas de povos diferentes.

Legenda


A complexidade étnica deste enorme país gerava agora ondas de protesto, sobretudo por questões de língua e nacionalidade, e muitas regiões da Ásia Central e do Cáucaso, reivindicavam a sua independência nacional e a secessão da União. Se o Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Uzbequistão cobriam entre si uma grande parte do território soviético, não eram aos olhos da URSS muito importantes pois apresentavam à época um Produto Interno Bruto (PIB), que no conjunto, não era superior a 9%, o mesmo não se passava com a Ucrânia,

Evgueni Khaldei, Ucrânia, 1966, Col. Ernst Volland

a Geórgia e a suas vizinhas Arménia e Azerbaijão,

Evgueni Khaldei, Azerbaijão, 1959, Col. Ernst Volland

que para além do elevado PIB, (a Ucrânia gerava à época 17% do PIB total) e dos recursos naturais, a localização estratégica, com vias de acesso ao Mar Negro bem como à Europa Central era vista como vital. A posição de Gorbachev, que hesitava entre o ideal e o possível e procurava um federalismo controlado, tornou-se para os seus colegas da linha dura insustentável. A 17 de Agosto de 1991, de férias na Crimeia, o líder Gorbachev era alvo de um golpe de estado. A Europa, também de férias, lia nas primeiras páginas dos jornais que o presidente estava impossibilitado de exercer as suas funções por razões de saúde. Boris Yeltsin, eleito presidente da República Soviética da Rússia, em 12 de Junho de 1991, aproveitou o momento para salvar a situação. Gorbachev, regressava a Moscovo e ultrapassado pela História sem o saber, acabaria por ceder, nos dias seguintes, à declaração de independência de todas estas repúblicas, que seguiram o exemplo das repúblicas do Báltico.

Evgueni Khaldei, estátua de Estaline, canal do Volga em Don, 1952, Col. Ernst Volland

A URSS era agora um Estado oco, vazio de poder e recursos. No dia de Natal desse ano, a bandeira russa, substituiu a insígnia soviética no cimo do Kremlin, a mesma que em 1945 Khaldei fotografara no telhado do Reichstag.

Evgueni Khaldei, Reichtag, Berlim, 1945

No Kremlin, Gorbachev cedia o seu gabinete a Yeltsin.

Um grande Estado industrial – uma superpotência militar – simplesmente caía e embora o desmoronamento da União Soviética não fosse inteiramente desprovido de violência - no Cáucaso rebentaram alguns conflitos - não houve uma guerra, uma revolução sangrenta, a explosão do barril de pólvora era adiado.

Agora o cessar-fogo na região da Geórgia está muito longe da paz desejável, e não é o futuro das diferentes etnias das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia que preocupa os políticos, mas a localização estratégica destas regiões, mas isso veremos no próximo post.

4 comentários:

Leandra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leandra disse...

Tem um selo pra vc no Blog Imagismo!
Adoro seu blog e como tenho que presentear alguns blogs com o selo, o seu é um dos meus preferidos!
http://imagismo.blogspot.com/

meg disse...

Obrigado, deste fotógrafo, conhecia apenas a imagem do soldado no telhado hasteando a bandeira da URSS.
É sempre muito bom vir aqui.
Um grande abraço

Anónimo disse...

I'm delighted with your blog, a lot of information that will help me with my work in college!
Thank u very very much.
Sincerely, Sabrina.