sábado, junho 02, 2007

Sophie Calle na Bienal de Veneza

Sophie Calle foi convidada para representar a França na 52ª Bienal de Veneza, que abrirá no próximo dia 10. É o regresso a Veneza depois de “Suit Vénitienne”, 1980, um dos seus primeiros trabalhos. Depois de uma ausência de sete anos, foi no regresso a Paris que tudo começou conta-nos “senti-me desenraízada e sem amigos, não sabia o que fazer, para onde ir... comecei então a interessar-me por pessoas que encontrava na rua, tirava fotografias e anotava o que me tinha interessado nelas ...um dia segui um homem, mas pouco depois perdi-o de vista num centro comercial. Nessa noite encontrei-o numa vernissage.

Sophie Calle, em Paris, 1980
Escutei a conversa, ia para Veneza, decidi segui-lo e foi assim que começou a minha investigação. Em Veneza investiguei junto da polícia, hotéis.. para saber onde o encontrar, tudo o que ele fazia interessava-me, onde almoçou, a que horas, o quê,...foi uma perseguição obsessiva, até que chegou ao fim, apanhei o comboio e regressei a Paris”.
Sophie Calle em Veneza, 1980
Depois desta perseguição é Calle que quer ser seguida, e para isso pede à mãe que contrate um detective. Este trabalho “La Filature”,1981, esteve no CCB na Lisboa Photo 2003.
Sophie Calle, "La Filature",1980, exposição no CCB em 2003
Em Veneza Calle observou, agora em Paris é a observada, interessa-lhe saber como a veêm e as descrições que fazem de si, tal como ela fizera.
Sophie Calle, "La Filature", 1980

Através de fotografias e textos Calle narra as suas histórias. Estes foram os seus primeiros trabalhos, agora “Prenez soin de vous”, 2007, composto por fotografias, textos e filmes pode ser visto, a partir do dia 10 no pavilhão françês da Bienal de Veneza.
Sophie Calle, "prenez soin de vous", 2007

Em França, a regra é deixar o artista convidado escolher o comissário. Calle procurou mas não encontrou ninguém. Decidiu então por um anúncio na imprensa : “Sophie Calle, artiste sélectionnée pour représenter la France à la 52 Biennale d’art contemporain de Venise, recherche toute personne enthousiaste pouvant remplir la fonction de comissaire d’exposition. Références exigées. Rémunération à négocier. Anglais courant souhaité. Envoyer CV /Lettre de motivation à scbiennale@galerieperrotin.com”.
O artista Daniel Buren responde e é o seleccionado. Buren no catálogo da Documenta 5 de 1972 escreve “ Cada vez mais, o objecto de uma exposição, deixa de ser a exposição de obras de arte para, a exposição da exposição, se tornar no próprio objecto”.
Para Buren o gesto de Calle foi a forma de ela dar relevo ao artista e de por em causa o papel sacro-santo atribuido hoje aos comissários. Agora uma nova aliança artista/artista substitui a dupla comissário/artista.

O festival de fotografia espanhola a Photo España de 2007, abriu há dias a sua 10ª edição. Depois de vários anos comissariada por Horacio Fernández, é a primeira vez que o festival se apresenta sem um comissário principal.
Será que 2007 é o ano negro dos comissários?
Nota: o livro "Prenez soin de vous" de Sophie Calle saiu ontem editado por Actes Sud (4 DVD e dois livros). Ver mais comentários sobre Calle na Bienal click aqui

3 comentários:

bruna disse...

ola,

estou fazendo um trabalho sobre Sophie Calle e preciso saber de onde voce tirou esse trecho:

“senti-me desenraízada e sem amigos, não sabia o que fazer, para onde ir... comecei então a interessar-me por pessoas que encontrava na rua, tirava fotografias e anotava o que me tinha interessado nelas ...um dia segui um homem, mas pouco depois perdi-o de vista num centro comercial. Nessa noite encontrei-o numa vernissage.."

muito obrigada

bruna

Madalena Lello disse...

Bruna, só hoje é que vi a sua mensagem. Tirei do DVD Contacts,arte video,Sur une idée de William Klein Volume 2, que para além de muitos outros fotógrafos e artistas tem esta naracção da Sophie Calle.

Leonardo disse...

Belíssimo blogger, provando que existe vida mais que inteligente no cyber-espaço. Só uma curiosidade, de onde escreves?