Franco Fontana e Luigi Ghirri, ambos da cidade de Modena em Itália, começaram nos anos 1970 a fotografar a cor. A galeria Anne de Villepoix em Paris, em paralelo com a feira, expõe “Kodachrome” de Luigi Ghirri,

e o seu site dá-nos acesso às fotografias expostas.
No domingo passado, Martin Parr, na feira de Arte Lisboa, falou do seu percurso como editor e fotógrafo. No início, a sua Inglaterra, invernosa e cinzenta era fotografada a preto e branco, depois, como nos referiu “passei a fotografar a cor, por influência da fotografia americana”. A exposição de William Eggleston, apresentada no MoMA em 1976, é hoje uma exposição seminal que marca o início da fotografia a cor e o catálogo “William Eggleston’s Guide”, continua, pelas sucessivas edições a ter visibilidade internacional. Na Itália, mais perto da Inglaterra de Parr que a América, o livro “Kodachrome”, 1978, de Ghirri passou práticamente desapercebido, embora ambos os fotógrafos, Eggleston e Ghirri fotografassem a cores as banalidades do urbano e periferias.
Na década seguinte, Ghirri fotografou o público que frequenta os museus.
No domingo passado, Martin Parr, na feira de Arte Lisboa, falou do seu percurso como editor e fotógrafo. No início, a sua Inglaterra, invernosa e cinzenta era fotografada a preto e branco, depois, como nos referiu “passei a fotografar a cor, por influência da fotografia americana”. A exposição de William Eggleston, apresentada no MoMA em 1976, é hoje uma exposição seminal que marca o início da fotografia a cor e o catálogo “William Eggleston’s Guide”, continua, pelas sucessivas edições a ter visibilidade internacional. Na Itália, mais perto da Inglaterra de Parr que a América, o livro “Kodachrome”, 1978, de Ghirri passou práticamente desapercebido, embora ambos os fotógrafos, Eggleston e Ghirri fotografassem a cores as banalidades do urbano e periferias.
Na década seguinte, Ghirri fotografou o público que frequenta os museus.

Luigi Ghirri, Firenze, 1986

Luigi Ghirri, Galleria di Palazzo Rosso, Genova, 1987-88

Luigi Ghirri, Napoli, 1980

Luigi Ghirri, Palazzo Grassi, Venezia, 1988
Thomas Struth, também na mesma época, tirou fotografias do mesmo tema.

Thomas Struth, Galleria dell'Accademia, Venice, 1992

Thomas Struth, Musée du Louvre, IV, 1989
Aluno da escola Düsseldorf, hoje estas suas fotografias identificam o fotógrafo, as de Ghirri quase ninguém as conhece. Dou um exemplo: o leilão de fotografia que correu no dia 29 de Maio deste ano, na sede da New Bond Street da Sotheby's, a fotografia de Struth, que serviu de capa ao catálogo do leilão, Musée du Louvre I, Paris, 1989, atingiu o preço mais elevado de todos os lotes.

Vendida por 228.000GBP superou as estimativas (100.000 - 150.000GBP).
A comissária do Paris Photo, Valérie Fougeirol explica “a Itália nunca teve instituições capazes de divulgar a fotografia italiana”. Por seu lado, o comissário da presença italiana, Walter Guadagnini, põe em relevo, no texto do catálogo, a não existência de uma escola italiana de fotografia, “espero” escreve Guadagnini, “que suceda o que aconteceu com a Espanha no Paris Photo de 2005”, em que depois da feira, a fotografia contemporânea espanhola entrou em muitas colecções. Para Guadagnini, a fotografia italiana necessita de um reconhecimento internacional, “o problema” continua Guadagnini “é que só alguns fotógrafos são conhecidos, e o público não conhece a variedade do trabalho italiano, inevitavelmente isso acaba por se reflectir no preço das obras que estão sub-avaliadas”.
Tal como Ghirri, Gabriele Basilico consagra a sua fotografia às paisagens urbanas, como ele diz “ je vois la ville comme un grand corps en transformation et je m’applique à en saisir les signes, comme um médecin qui enquête sur les changements du corps humain”, e outros como Francesco Jodice, Olivo Barbieri, Vicenzo Castella seguem o mesmo tópico,

Francesco Jodice, Tokyo, 2003

Vincenzo Castella, #09 Napoli, 2006
muito longe das imagens dos irmãos Alinari no século XIX. O passado histórico do país é um peso para os mais jovens, mas como diz Guadagnini “De Chirico um dos artistas mais inquietantes do século XX, é também um dos mais clássicos...”
A fotografia italiana contemporânea, agora reunida no Paris Photo, revela sinais de modernidade. Alguns, como Eugenio Tibaldi,
A fotografia italiana contemporânea, agora reunida no Paris Photo, revela sinais de modernidade. Alguns, como Eugenio Tibaldi,

Eugenio Tibaldi, sans titre 03, 2007
preferem pintar de branco os edifícios antigos deixando só os objectos modernos. Maurizio Montagna

Maurizio Montagna, Billboards, 2005-07

Maurizio Montagna, Billboards, 2005-07

Maurizio Montagna, Billboards, 2005-07

Maurizio Montagna, Billboards, 2005-07
prefere o branco para eliminar a publicidade dos paineis que invadem a cidade de Milão. Raffaela Mariniello, tal como Basilico gosta dos portos de mar.
A série que se segue é de Raffaela Mariniello, em Porto di Napoli, Catena:







Outros, como a dupla Luca Andreoni e Antonio Fortugno, (Luca-Fortugno), preferem os labirintos dos subterrâneos modernos às catacumbas.
A série que segue é da dupla Luca - Fortugno:


Os comissários esperam agora, ao reunir a fotografia contemporânea italiana, ultrapassar a falta de interesse quer das instituições italianas quer dos coleccionadores que frequentam a feira.
Veja aqui um texto sobre as galerias italianas presentes na feira.
Galerias portuguesas só uma, a Filomena Soares que já se estreou no ano passado. Será que alguma vez Portugal será o país convidado?
Galerias portuguesas só uma, a Filomena Soares que já se estreou no ano passado. Será que alguma vez Portugal será o país convidado?
Nota: e já que se está a falar de fotografia italiana veja aqui o livro recente de Mimmo Jodice.
Aqui Giovanni Chiaramonte apresenta o seu livro
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