sábado, junho 14, 2008

Entre a Suécia e a Rússia; Andrei Tarkovsky

Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

Recentemente, e a pensar na Europa, que tem vindo a ocupar estes últimos posts, fui tentada, por variadíssimas vezes, a escrever mais uma vez sobre a Rússia. Muitos foram os assuntos, tomada de posse do novo Presidente, os novos fundos soberanos russos que atemorizam os europeus, a energia nuclear…, mas a Rússia acabou por ficar para trás e veio, a Abkházia, os Balcãs, a França rural, o Reino Unido, a Irlanda, Portugal,...Na semana passada, o filme, “O Sacrifício”, 1985, do russo Andrei Tarkovsky, vendido juntamente com o jornal Público, foi decisivo, e hoje regresso à Rússia, sob a paisagem Sueca, com o cinema e a fotografia novamente de mãos dadas.
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

Medvedev numa visita recente a Berlim disse ao chegar: “se me permitem usar a linguagem de John Le Carré (escritor de espionagem), a Rússia regressou do frio”. Fria, foi como chamaram à guerra de ameaça e incerteza, que se intensificava, ainda o Tratado de Paz não tinha sido assinado. Uma guerra, a terceira, ainda mais terrível porque planetária, dividia o mundo. Na América, vivia-se o dia a dia, como se cada dia fosse o último, na URSS de Estaline, fechada sobre si, onde cresceu Tarkovsky, pouco ou nada sabíamos.
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Itália

No filme, uma voz sinistra na televisão anuncia a guerra atómica. Sonho? alucinação de Alexandre? Pelos pecados do Homem, que transformaram o paraíso num lugar inquietante e assustador, Alexandre sacrifica-se e pede a Deus, ao Deus-Pai, a Paz.

Um rugido de um avião, que mais parece um bombardeiro, faz tremer os copos e desequilibra um jarro de leite, o prenúncio do cataclismo.
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

Em “O Doutor Jivago”, Boris Pasternak, de quem Tarkovsky tanto admirava, dá-nos a imagem como ambos viam o seu país: “Era, por isso, necessário ensinar as pessoas a não pensar e a não emitir juízos, obrigá-las a ver o que não existia e a defender o oposto do que era óbvio para todos”.
As humilhações, as críticas, os cortes, as alterações das montagens, exigidas pelas autoridades, levam Tarkovsky a deixar o país, a sua casa e a separar-se da mulher e filho.
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Rússia
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Rússia
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Rússia

Escreverá no seu diário “o importante é ser livre na sua obra criadora”. No exílio, Tarkovsky filma “O Sacrifício” numa reserva natural na Suécia, mas são as suas memórias da Rússia, que estão presentes.

As polaroids, que tirou ainda na Rússia, acompanham-no sempre, como folhas do seu diário,
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Rússia
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Rússia
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Rússia

pois as memórias enchem-no de emoções : “é difícil não ficar sensível num filme de Tarkovsky, à importância de certas sensações elementares que conservam nele a força que tinham para nós na infância: o calor do fogo, a brancura de uma tigela de leite, a transparência de um jarro de vidro onde colocam flores”, escreve Michel Chion no Cahiers du Cinema. Tudo estímulos, que nele produzem emoções, intimamente ligados à sua história, à sua memória, à sua experiência pessoal, escreverá: “o cinema utiliza a nossa vida e não o contrário” .
Andrei Tarkovsky, Polaroid, Rússia
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

No filme, festeja-se o aniversário de Alexandre, Otto, reformado mas que nas horas livres é carteiro, chega carregando na sua bicicleta uma enorme gravura da Europa, é a sua oferta, o seu presente para Alexandre.

Ao olhar para a gravura antiga, para uma Europa doutros tempos,
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

Alexandre diz aos amigos “Hoje a Europa parece mais com Marte, ou seja nada tem a ver com a verdade. Devia ser maravilhoso, quando o Homem acreditava que o Mundo era assim”.

Mas o poder da fotografia em “O Sacrifico”, transborda as imagens, e é na história, que Otto, conta à família, que encontramos a essência, a essência do filme:
Uma viúva”, conta então, enquanto passeia na sala grande sob o ranger da madeira do chão “vivia com o seu filho, quando a guerra começou. O rapaz foi recrutado, tinha dezoito anos. Decidiram ir a um fotógrafo tirar uma fotografia para ficar de recordação. A mãe e o filho tiraram a fotografia juntos. Depois o rapaz foi para a frente e poucos dias depois morreu. Imersa no desgosto e na calamidade a viúva esqueceu-se, claro, da fotografia que tinha encomendado.” Otto por vezes é interrompido, Adelaide, mulher de Alexandre, pergunta “Como pôde se esquecer de tal coisa”, mas Otto, responde-lhe “Isso não é importante”, os outros interessados na história pedem-lhe para continuar. “O facto é que esta mulher nunca foi buscar a fotografia. A guerra acabou e ela mudou de cidade, para longe das recordações.”
“Mas ela nem sequer tentou encontrar o fotógrafo, era a última fotografia do seu filho?”,
interrompe novamente Adelaide. “Não. Anos mais tarde, acho que em 1960, a mulher foi a um fotógrafo para tirar uma fotografia dela. Queria dá-la a um amigo como recordação. Tirou a fotografia e quando a foi buscar, viu não só o retrato dela mas também a do seu filho morto, ele tinha dezoito anos e ela tinha a idade que tinha quando tirou a última fotografia.” “Isso aconteceu assim? Tal como nos está a contar,” pergunta Victor o médico. “Sim, foi exactamente assim. Falei com a mulher e tenho a fotografia que a mostra em 1960, com o filho com o uniforme de 1940.” “ Meu Deus!, Não está a brincar connosco, pois não?” interrogam e Otto termina “somos simplesmente cegos, não vemos nada”.

Quem contempla uma fotografia sente o impulso irresistível de procurar, e quem verdadeiramente procura, encontra, tal como no sonho e na vida, que se misturam, um espaço impregnado de consciência e outro embrenhado de inconsciente.
Através da fotografia, a visão da viúva é ao mesmo tempo, histórica e trans-histórica: a sua imagem e a do filho aparecem-lhe tal como foram em tempos, como se ela vivesse uma vida independente do tempo, fora dele, num outro, não o histórico. Através desta história, Tarkovsky, realiza a um tempo, a visão da sua unicidade e da sua multiplicidade, num alongamento da vida que lhe permite ver isto: que tudo faz parte de uma só vida - a imortalidade, e os sonhos, que ocupam um lugar importante em todos os seus filmes, representam a maneira mais profunda de conhecer e voltar ao passado.
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

No quarto a criança sonha, o filme passa da cor para o preto e branco, no presente, através dos sonhos regressa-se ao passado, serão os sonhos a cores ou a preto e branco?

E se no início, a árvore estéril, plantada por pai e filho parece-nos morta, regada todos os dias,
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

como o monge, na história que o pai conta ao filho, acaba por florir - a imortalidade, a beleza imensa deste filme.
Andrei Tarkovsky, do filme "O Sacrifício", 1985

“No princípio era o Mundo – O que é isso papa?”

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quarta-feira, junho 11, 2008

A brincar ao gato e ao rato

O Mundo está em polvorosa com o preço que pagamos nas bombas de gasolina pelo precioso “ouro negro”, e na Europa, a greve dos camionistas começa a afectar a vida de todos nós, em Lisboa, do dia para a noite, algumas bombas já esgotaram e estão fora de serviço.

Martin Parr, Eslovénia, 2004

Panos Kokkinias, Gas station, 2003



Em Janeiro, quando os contratos de futuros do crude no Nymex, chegou aos 100 dólares, escrevi um post sobre “O preço do ouro negro”, uma barreira mítica era ultrapassada.

AFP, Frank Perry, 2008

Se olharmos só para os anos mais recentes, a subida do preço do petróleo não pára: em 2003 custava 30 dólares, em 2004, 50 dólares, em 2005, 70 dólares e agora em 2008, já está próximo dos 140 dólares.

Todas as manhãs somos informados sobre o que acontece em todo o Mundo, e todas as manhãs essas informações chegam-nos sempre impregnadas de explicações. O Mundo vive hoje de informação comprovada no imediato, mas acima de tudo o Mundo vive hoje de informação que tem de surgir como algo compreensível por si próprio, precisa de ser plausível, e ao leitor é sempre imposta uma coerência, sendo-lhe negado qualquer interpretação. Curiosamente fixamos mais facilmente na nossa memória informações que são sóbrias e precisas, as informações explicadas só são válidas enquanto são actuais, só vivem um momento, rapidamente se gastam, porque nos esquecemos facilmente, e as explicações abundam, porque num dia se pode estar a negar o que se disse na véspera.

E tudo isto a propósito do preço do ouro negro. Até aqui, todos explicaram as origens da subida, com a explosão da procura dos grandes países emergentes, China e Índia, com a incapacidade das refinarias aumentarem a produção, e com a destreza dos gestores, que antecipando a sua falta, começaram a investir no ouro negro. As explicações eram plausíveis e o Mundo acreditou. Os riscos geopolíticos sempre existiram, quem não se lembra das bichas para encher os depósitos nos anos 70?

Não é só a Europa que está preocupada com a subida do preço do petróleo, na América,

Stephen Shore, Mineral Wells, Texas, June, 1972

ao Presidente Bush explicaram-lhe as razões da subida. Dinâmico, Bush foi a Ryad e pediu a quem manda que aumentassem a produção. Responderam-lhe “você está enganado, a procura não aumentou, se o preço subiu não tem a ver com a procura, procura e oferta estão equilibrados, procure a explicação nos mercados bolsistas”. Segunda feira passada os sauditas reiteraram o que disseram a Bush: “Não aumentam a produção porque a procura não aumentou, a razão da subida está na especulação”. Se a procura não aumentou, o problema da refinação também já não serve. Resignado, Bush, regressou à sua terra, e pediu ao Secretário do Tesouro, Henry Paulson que lhe explicasse o que se passava. Paulson disse-lhe “olhe que a subida do preço não se deve às apostas nos mercados bolsistas, as posições curtas/longas dos contractos de futuros sobre o crude estão equilibradas, a razão da subida está no aumento da procura”. Paulson tem razão, na semana passada foram divulgados as rentabilidades de 97 Hedge Funds especializados no sector, e surpreendentemente a média não ultrapassa os 3% desde o início do ano, no ano passado com o preço abaixo dos 100 dólares, a média foi de 16%. Em contraste, o preço do petróleo subiu, desde o início do ano mais de 40%. As apostas na Exxon Mobil,

Jeff Brouws, Mobil/Atrelado, Inyoken, Califórnia, 1991

por exemplo, saíram mesmo furadas, a empresa, até Maio apresentava uma rentabilidade negativa de 7%. Agora o Mundo fica inquieto, já não sabe como explicar…

Desde tempos remotos que o Homem precisa de bodes expiatórios para sossegar. Há falta arranja-se um: Henry Ford. Não foi afinal Henry Ford, que no início do século XX, revolucionava o mercado automóvel na América? Não foi na sua fábrica de River Rouge, em Detroit, que das cadeias de montagem saiam aos milhares um modelo utilitário e económico, o Ford T (1908)?

Walker Evans, Main Street, Saratoga Springs, New York, 1931

Não foi o empreendedorismo de Ford, que espalhou por todo o continente uma rede de oficinas e que fez o mercado automóvel passar dos milhares para os milhões? Não foi com Ford, com a sua produção em série, que a estrada macadamizada se generalizou por todo o mundo? Não foi o automóvel que reduziu a importância do caminho de ferro?

Walker Evans,

Walker Evans, Roadside View, Alabama Coal Area Company Town, 1938

Rudy Burckhardt,

Rudy Burckhardt, Untitled. Do álbum An Afternoon in Astoria, 1940

Edward Ruscha anos depois, mas a olhar para Evans,

Ed Ruscha, 1962

Ed Ruscha, do livro Twentysix Gasoline Stations, 1962

Ed Ruscha, do livro Twentysix Gasoline Stations, 1962

Ed Ruscha, do livro Twentysix Gasoline Stations, 1962

Ed Ruscha, pintura, Standard Station, 1966

é que se fascinaram pelo empreendedorismo de Ford, e as bombas de gasolina, que encontravam pela estrada fora, um tema favorito.

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sábado, junho 07, 2008

"Lisboa e Tejo e Tudo..."

Sempre que um post já vai longo, mas ainda restam fotografias que quero mostrar, digo ao leitor que continuo no próximo, e hoje não falto à promessa com os contrastes dessa “Lisboa e Tejo e Tudo…”, como cantou Fernando Pessoa.

António Sena, no seu livro, “História da imagem fotográfica em Portugal – 1839-1997”, recorda assim os anos da sua galeria: “Em 1982 é formada a associação e galeria Ether/Vale Tudo Menos Tirar Olhos (1982-1996), sendo fundadores Leonor Colaço, Luis Afonso, Madalena Lello, António Júlio Aroeira, António Sena, José Soudo e Alfredo Pinto, exclusivamente dedicada à fotografia e completamente desligada de qualquer filiação em anteriores Associações Fotográficas. O objectivo da Ether era colmatar as resistências e dificuldades da divulgação da fotografia portuguesa…”. António Sena, o impulsionador do projecto, abria a 15 de Abril desse ano, as portas da galeria com a exposição “Lisboa e Tejo e Tudo” de Victor Palla/Costa Martins.
Madalena Lello, Abril, 1982, Exposição "Lisboa e Tejo e Tudo"
No nº 25 da Rua Rodrigo da Fonseca, a fachada fora transformada para acolher o espaço da galeria. Um longo e vertical tubo de queda, com todo o seu volume saliente de forma cilíndrica, foi pintado de amarelo. Na parede estreita por cima da porta uma pintura em faixas de cinzento simulava a transposição das intensidades maiores ou menores da luz – o princípio base da fotografia a preto e branco. A fachada dava nas vistas, e quem por ali passava não resistia a parar. E foi o que aconteceu a um fiscal da Câmara que por ali passando em rotina de serviço, deparou com a obra feita de um dia para o outro. Teve que fazer um ofício, mas não resistiu a deixar um bilhete algo inesperado: “Isto foi feito ilegalmente, mas está lindo. Passem por lá para ver se resolvemos a contento.”, e resolveu-se, porque o fiscal tinha olhos.

Ether, designava a natureza da luz – algo volátil e etéreo nos finais do século XIX, quando ainda não se conhecia exactamente a sua composição, à ciência acrescentou-se a sabedoria popular - Vale Tudo Menos Tirar Olhos, porque abrir os olhos para a imagem fotográfica era a essência do projecto.

Na exposição, “Lisboa e Tejo e Tudo…”, os poemas de Pessoa, “Não: não quero nada nada me prende a nada”,
“queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?”,
“queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?”,
“Outra vez te revejo, Mas ai, a mim não me revejo”…,
escritos a preto em grandes placas de madeira pintadas de branco, conjugavam com a selecção das fotografias inéditas de Victor Palla e Costa Martins, tiradas, entre 1956-59, para o livro “Lisboa, cidade triste e alegre”. No lado oposto, na outra parede, mostravam-se os originais de maquetagem – poemas, fotografias, ozalides, (encontrados no meio dos fascículos), e desenhos.
Encadernaram-se alguns dos exemplares, como o que vemos nas mãos de Victor Palla,
Madalena Lello, Abril, 1982, Exposição "Lisboa e Tejo e Tudo"
que restavam do livro editado em fascículos, em 1959, e um catálogo/cartaz, desdobrável, onde se conta a história do livro junto com a reprodução das fotografias expostas.

E agora olhemos para o cartaz, onde os contrastes saltam à vista.
A escolha das duas fotografias, não obedeceu a critérios estéticos, nem tão pouco foi aleatória. A fotografia de cima, uma varina junto ao cais das colunas carrega à cabeça, o pescado. A sua silhueta e a varanda de pedra que acompanha o Tejo na Avenida da Ribeira das Naus, estão na penumbra, e no negrume, se nós quisermos, vemos um L.
Na outra fotografia, será que é um jovem casal que arrenda uma nova casa lá para os lados das Avenidas Novas? Não sabemos. Um X, pintado em branco no vidro da porta, é sinal de obra recente.
Agora é só juntar o L negro da penumbra, ao X branco do vidro, Lx, porque estamos em Lisboa, e haverá maior contraste entre o branco, que tudo reflecte, a soma das cores do arco-íris, e o preto, que tudo absorve, não deixando escapar nada? Sim, o contraste entre o rio e a cidade nova, que se construía, e que não escapava aos fotógrafos.
Agora olhem para o livro, que também já aqui vimos, e sigam como os autores, Palla e Martins, passam, de forma magnífica do tema das varinas para a Baixa Lisboeta:
“Página 96: Última fotografia do rio. O altivo olhar da mulher da esquerda conduz o nosso para o próximo tema. É bem claro que a metade esquerda desta cena pertence à sequência anterior, e a direita à seguinte: vamos sair dum cais onde os homens e as mulheres não se vestem de maneira muito diferente da de superficiais mas em que as coisas também não se transformaram, afinal de contas, muito consideravelmente”. Cinematográfico?

Olhemos então para o contraste, entre o rio, onde a presença é tão forte na fotografia portuguesa desses anos, e o urbanismo, que marca o início de uma nova fotografia, com Paulo Nozolino a servir de farol.

Em 1967, perto do Natal, Jorge Guerra, fotografa a sua Lisboa:
Jorge Guerra, No cais em Alcântra, Lisboa, 1967
Jorge Guerra, Jardim das Janelas Verdes, Lisboa, 1967
Jorge Guerra, Pai e filho à beira do Tejo, Lisboa, 1967
De costas para a Europa, os portugueses contemplam o oceano, no cais das colunas – “a porta aquática de Lisboa”, a espera é longa e à beira-mar as pessoas transforma-se em estátuas.
Jorge Guerra, Cais das Colunas, Terreiro do Paço, Lisboa, 1967
Jorge Guerra, chama à sua Lisboa: “Lisboa, cidade de sal e pedra”, infelizmente não saiu em livro, ficou em projecto.
Jorge Guerra, Terreiro do Paço, Lisboa, 1967

Paulo Nozolino, nos anos 80, fotografou em Lisboa. E numa bomba de gasolina da cidade, que hoje rareiam, Nozolino, fotografou este “boca de sapo” a encher o depósito.

Paulo Nozolino, Nightride, Lisboa, 1981

Ninguém começa sozinho, é difícil de fugir às influências e Nozolino também não escapou,

Robert Frank, Motorama, los Angeles, do livro "The Americans", 1959

mas um bom fotógrafo distingue-se quando transcende os grandes clássicos da história, como nestas fotografias,

Paulo Nozolino, Squatters, Lisboa, 1982

Paulo Nozolino, Olivais Sul, Lisboa, 1980

que já não lembram as obras de outros. De costas para o rio, olha-se agora para dentro, para a Europa.

Os tempos mudam, os fotógrafos, os verdadeiros, tem um faro, uma antena, e captam o “ar do tempo”, melhor que ninguém.

Nota: Na revista Fotodigital do mês de Maio, no texto “Um “Olhar” sobre a APPh” de Ângela Camila Castelo-Branco/António Barreto, lê-se: “O António Sena, em tempos proprietário e animador da galeria “Éther, só não vale tirar olhos”…” tem esta gralha na designação da galeria, razão porque aproveito este post para fazer a devida rectificação.
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