No século XXI, o Homem depara-se com uma nova realidade, uma nova região por explorar, o Oceano Árctico. O Árctico está a derreter, e está a derreter rapidamente.
Comandante António José Martins, Iceberg e o Sol, 1939
Neste último Verão, segundo um artigo “Arctic Meltdown” que a revista Foreign Affairs publica este mês, a área de gelo diminuiu mais de um milhão de metros quadrados, reduzindo o gelo do Pólo Norte para metade desde há 50 anos, é o efeito visível e dramático do aquecimento global. Se o Árctico é o barómetro pelo qual medimos a saúde da terra, então o nosso planeta está mesmo doente, escreve Scott G. Borgerson, no artigo da revista.
Geologicamente, o planeta terra era um supercontinente, Austrália, Índia, África e América do Sul formavam um só. Foi o movimento das placas tectónicas que deu origem à separação dos continentes, e os Oceanos passaram a separá-los. O Homem, antes de voar, aprendeu a navegar, e para ir do Atlântico ao Índico, contornava a África, e do Atlântico ao Pacífico contornava a ponta da América do Sul. O problema da mobilidade e transporte é uma necessidade antiga do Homem, e em 1914, o Canal do Panamá abria finalmente. O progresso em termos de espaço e tempo foi enorme, o Homem já não precisava de contornar a ponta da América do Sul.
Daqui a cinco anos, com o degelo do Árctico uma nova auto-estrada marítima poderá ligar os Oceanos, através da Northwest Passage. Se o Canal de Panamá reduzia a distância do Atlântico ao Pacífico, a nova passagem reduzirá o trajecto em 2, 000 milhas náuticas. Do Atlântico ao Índico, a redução ainda é maior, 4,700 milhas náuticas serão poupadas. O degelo do Árctico, significa que em breve esta região será como o mar Báltico, coberto só no Inverno por uma fina camada de gelo.
Nós portugueses descobrimos e navegamos por esses Oceanos, mas também a Terra Nova no Pólo Norte nos cativou para a pesca do bacalhau, o peixe que vive nas águas profundas e geladas dos mares do norte. A actividade da pesca do bacalhau remonta ao século XV. Nessa época frotas portuguesas, constituídas por navios de linha exploravam a Gronelândia e a Terra Nova. O comandante António José Martins, (1882- 1948), que fez a 1ª Guerra a bordo do “Vasco da Gama”, segue, em 1929/30 a bordo do “Gil Eanes”, hoje atracado em Viana do Castelo, nas primeiras viagens deste barco à Terra Nova. Nos anos de 37, 38 e 39, volta como Comandante a bordo do mesmo barco aos bancos da Terra Nova e Gronelândia.
Comandante António José Martins, 1939
Comandante António José Martins, 1939
Comandante António José Martins, 1939
Comandante António José Martins, 1939
Foi dos primeiros a fotografar, com infravermelhos o nevoeiro e os icebergs desses mares durante as safras do bacalhau, e as suas fotografias foram expostas, na Galeria Ether- Vale Tudo Menos Tirar Olhos, na década de 1980. Aqui ficam algumas imagens do catálogo desdobrável dessa exposição.
Hoje, nas profundezas da região, inacessíveis até agora, julga o Homem, encontrar uma nova jazida de energia, gás, petróleo e hidrocarbonetos, do bacalhau já não se fala.
Só em depósitos de petróleo calcula-se uma riqueza de 586 milhões de barris, mais de metade das reservas da actual Arábia Saudita.
Rússia, Canadá, Estados Unidos, China, Dinamarca, Noruega, já revelaram o interesse na região, uma nova corrida ao ouro rumará ao Árctico, neste nosso século XXI. Mas a regulamentação sobre a exploração da região é inexistente, porque o Homem nunca pensou que essas águas fossem um dia totalmente navegáveis.
O tríptico de Hrafnkell Sigurdsson, mostra-nos uma paisagem gelada e imaculada,

quando fechado transforma-se em lixeira, um alerta para o nosso planeta doente.
Hrafnkell Sigurdsson, Conversão Dois, 2006
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Em Julho do ano passado inaugurou em Roterdão um museu da fotografia, 






















Neste ponto podemos fazer uma ligação simples entre o modelo descrito e a prata do processo químico. As formigas reforçam as linhas depositando mais feromona (revelador), enquanto a evaporação elimina o que não interessa (fixador). Se nos lembrarmos que o grão (a alma da fotografia, Paulo Nozolino) surge dos “buracos” que aparecem na película devido à agregação dos sais de prata quando os tempos de revelação são longos, temos um quadro ainda mais interessante. Tal como as linhas desta camera obscura para formigas, que nascem do reforço constante de feromona nas áreas favoráveis, o grão emerge do reforço de revelação.













