
Publicidade de Pulse Miami, na revista Modern Painters
Como o verão já aí está, nada melhor que esta praia de Massimo Vitali para a publicitar.
Representado pela galeria Brancolini Grimaldi Arte Contemporanea, Vitali na última feira Paris Photo, tinha à venda "Coney Island, New York" por € 18.320.
Massimo Vitali, Coney Island, New York, 2006 (199 X 160 cm) c-Print under plexi, na feira Paris Photo 2006De grande formato as fotografias de Vitali dão-nos a impressão de serem completamente artificiais.

Massimo Vitali, Rosignamo Beach, 2003, (180 x 225 cm)

Massimo Vitali, Beach, 2003

Massimo Vitali, Viareggio Tuffo, 1995
Massimo Vitali, Nice, 2005, c-print under plexi, 220 x 180 cm (Brancolini Grimaldi)Fruto da publicidade e dos media em geral, a nossa experiência com o mundo torna-se cada vez mais artificial assim como a própria realidade se transforma cada vez mais em imagem. A linguagem visual utilizada pela publicidade é complexa, simulam documentar o real, para nos sugerirem um mundo ficcional, e quando olhamos para as fotografias de Massimo Vitali, férias na praia, já não sabemos se estas praias são ou não reais. Durante anos a fotografia foi considerada registo do real, hoje acontece precisamente o contrário. Qualquer um de nós sabe que as fotografias que vemos nos jornais, revistas, internet...podem ser totalmente artificiais, ou seja, a fotografia já não precisa do real.
Quando olhamos para esta fotografia de Weegee tirada em Coney Island, ficamos surpreendidos... como é possível tanta gente.
Quando olhamos para esta fotografia de Weegee tirada em Coney Island, ficamos surpreendidos... como é possível tanta gente.

Weegee, Crowd at Coney Island, They came early, and stayed late. 22 July 1940
Em Nova Iorque, naquele dia de domingo (22/07/1940), os termómetros chegavam aos 40º graus. Hoje quando olhamos para a fotografia não nos ocorre duvidar se Wegge acrescentou pessoas através de fotomontagem ou outro processo qualquer. A fotografia representava o real, e as estimativas confirmavam o real da fotografia, mais de um milhão tinha estado em Coney Island. A fotografia é publicada no jornal PM. Para atrair a atenção dos banhistas (?) Weegee acenava e gritava para olharem para cima.
E esta fotografia de Vitali?
E esta fotografia de Vitali?

Massimo Vitali, Viareggio air Show, 1995
Vitali não manipula as suas fotografias, utiliza tal como Olivo Barbieri, Marc Rader que fotografam a arquitectura das cidades, câmaras analógicas de grande formato e o resultado são fotografias que mais parecem ficcionais do que reais.
Em cima de uma plataforma com cinco a sete metros de altura, ao contrário de Weegee, espera o tempo suficiente para que as pessoas voltem às suas actividades normais, e é nessa altura que começa a fotografar. Férias na praia, é tema com que a publicidade já nos familiarizou. As fotografias de Vitali são reais, mas provocam-nos uma sensação de estranheza, Vitali põe em evidência a ficção que as imagens comerciais criaram.
Os fotógrafos de hoje, como os de ontem, estão submetidos ao seu tempo. E se hoje as praias de Vitali nos causam alguma estranheza pela artificialidade que sugerem já a praia de Coney Island, tão fotografada na década de 1940 representa a realidade da época.
Vitali não manipula as suas fotografias, utiliza tal como Olivo Barbieri, Marc Rader que fotografam a arquitectura das cidades, câmaras analógicas de grande formato e o resultado são fotografias que mais parecem ficcionais do que reais.
Em cima de uma plataforma com cinco a sete metros de altura, ao contrário de Weegee, espera o tempo suficiente para que as pessoas voltem às suas actividades normais, e é nessa altura que começa a fotografar. Férias na praia, é tema com que a publicidade já nos familiarizou. As fotografias de Vitali são reais, mas provocam-nos uma sensação de estranheza, Vitali põe em evidência a ficção que as imagens comerciais criaram.
Os fotógrafos de hoje, como os de ontem, estão submetidos ao seu tempo. E se hoje as praias de Vitali nos causam alguma estranheza pela artificialidade que sugerem já a praia de Coney Island, tão fotografada na década de 1940 representa a realidade da época.

Harry Lapow, Coney Island, 1958

Morris Engel, Coney Island, 1941
Coney Island, escreveu uma vez Jorge Calado, está para os americanos como a Nazaré está para nós, portugueses. Ainda hoje me recordo da cara de espanto de um nova iorquino quando há uns anos lhe disse que quando fosse a Nova Iorque visitaria Coney Island. Para mim estas praias no sul de Brooklyn fazem parte de Nova Iorque tal como a quinta avenida em Manhattan.

Península de Coney Island, vista aérea.Desde 1890, que Coney Island serve de praia aos nova iorquinos. No verão este areal banhado pelo oceano atlântico é refugio de muitos para aliviar o calor. Por uma importância pequena, um nickel em 1940, nova iorquinos apanham o subway até Coney Island. Mas será que conseguem aliviar o calor?

Sid Grossman, Coney Island, 1947
Se chegar à borda de àgua é tarefa difícil, porque não tentar um chuveiro?

Morris Engel, Coney Island, 1941
Walker Evans fotografou os casais de namorados que para lá iam se divertir nos parques de diversão. Na década seguinte, foi a praia que entusiasmou os fotografos.

Bruce Gilfen, Coney Island, 1968
A seguir vieram os anos em que a zona se degradou e Bruce Davidson fotografou os gangs de Brooklyn em Coney Island.

Bruce Davidson, Coney Island, da série Brooklyn Gang, 1958
Revitalizada a zona, a pesca é hoje um entretém e no Verão os areais lá se enchem novamente como mostra a fotografia de Vitali tirada em Coney Island no ano passado.
Bruce Davidson, Child on Wharf, Coney Island, 1997Hoje escreve-se que já não há fronteira entre real e ficção. Mas será que a nossa percepção do real mudou assim tanto? Em dias tórridos ao olharmos para as nossas praias pensamos em Coney Island ou nas praias ficcionadas da publicidade?
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