sábado, novembro 24, 2007

O grupo AFAL

Há dias recebi este e-mail da photovision:

Almería, octubre de 2007
Estimado amigo/a,
El próximo día 31 de octubre se inaugura en Almería la nueva sede del Centro Andaluz de la Fotografía en lo que fue el antiguo Liceo y que, después de una magnifica restauración, albergará nuestras exposiciones, los departamentos administrativos, así como biblioteca, videoteca, salas digitales, aulas para talleres, etc., en definitiva el lugar idóneo para que el CAF se desarrolle en su más amplio sentido y todos los profesionales del medio y el público en general encuentren en este espacio y en las actividades que llevaremos a cabo, el marco inigualable de todo lo concerniente al mundo de la Fotografía.Por primera vez, ocupan las paredes del nuevo Centro, Emilio Morenatti y Jorge Rueda en la que a partir de ahora será la casa de los fotógrafos en AndalucíaPor este motivo, nos gustaría contar con tu presencia en la fecha citada, miércoles, a las 20,00 h. en la sede del CAF, C/ Pintor Díaz Molina, s/n, 04002 Almería.Un cordial saludoPablo JuliáDirector del Centro Andaluz de la FotografíaPHOTOVISIONhttp://www.photovision.es/

Almeria e fotografia, duas palavras há muito ligadas. “Almeria era uma província marginalizada e desértica, tanto agrícola como culturalmente, com o maior índice de desemprego...”, é assim que Carlos Pérez Siquier, um dos animadores de Agrupación Fotográfica de Almeria (AFAL), se recorda agora da cidade andaluza nos idos anos de 1950. “No fim dos anos 50” continua Siquier, “Almeria chegou a ser considerada como o centro geográfico da fotografia espanhola; isto foi devido a que a AFAL soube reunir os fotógrafos mais inquietos e intelectualmente evoluidos do país, que encontraram nas páginas da nossa pequena revista um suporte muito útil para exprimir as suas ideias ou publicar as suas imagens”. Siquier conjuntamente com Jose María Artero, fundavam em 1950, um movimento de ruptura com a fotografia espanhola do pós-guerra. A fotografia moderna dos anos 1930, caracterizada por um grande núcleo de fotógrafos, Sibylle von Kaskel, Gabriel Casas, José Renau, José Sala, Maruja Mallo, Emili Godes, José Manuel Aizpúrua, Antoni Arissa, Pere Català Pic e tantos outros, desaparecia.
Sibylle von Kaskel, fotografia publicada na revista "Las quatro estaciones" Outono 1935
Depois da guerra, os fotógrafos, que se achavam artistas, reuniam-se à volta da revista “Arte Fotográfico”, destinada, como dizia o seu primeiro número, (1952), “aos aficionados da fotografia artística e aos profissionais do retrato”. Regressavam os fotógrafos dos concursos e salões, das medalhas e outras condecorações, como se a modernidade, que tanto caracterizou a fotografia espanhola vinte anos antes, parecia nunca ter existido.
Foi neste ambiente que um grupo de fotógrafos “inquietos e intelectualmente evoluidos” que não tinham o menor desejo de fazer “arte” mas antes revelar o espírito do tempo através da fotografia se reuniu à volta de AFAL. Ricard Terré, que ficou conhecido pelas fotografias da Semana Santa em Espanha, só publicadas em livro “Los dias Iluminados” em 1964, nunca falta um sentido de humor negro, como refere Horácio Fernandez.
Ricard Terré, da série Semana Santa, Vigo, 1957
Ricard Terré, 1957, colecção Fundación Foto Colectania
Ramón Masats, o primeiro a seguir a reportagem pura, colaborava com a “Gaceta Ilustrada” dizia que a fotografia “deve ser humanidade, documento humano, veracidade e não falsidade. Nenhuma outra arte pode captar o momento com tanta autenticidade. A reportagem é pois o filho da nossa época”.
Ramón Masats, Estoril, 1959, colecção Fundación Foto Colectania
Ramón Masats, Terrassa, 1953, colecção Fundación Foto Colectania
Masats, para além dos fragmentos da vida quotidiana em Barcelona renovou as imagens das corridas de touros, como este touro sentado, da reportagem “Los Sanfermines”, Pamplona, 1960.
Ramón Masats, da reportagem Los Sanfermines, Pamplona, 1960
Xavier Miserachs, interessa-lhe não a fotografia artística mas as emoções “um assunto fotográfico é qualquer coisa que produz na fotografia um shock psicológico...” Das emoções, Miserachs chegava também ás abstrações, como este muro de azulejos com reflexos.
Xavier Miserachs, Barcelona, el metro de Plaza Cataluña, 1954, colecção Fundación Foto Colectania
O seu livro emblemático “Barcelona en blanc i negra” (1964), fotografias tiradas nas ruas de Barcelona nos anos 1959, terá como modelo New York de William Klein, sem legendas as fotografias eram montadas cinematográficamente, organizadas a partir de panoramas e cenas de grupo que se fragmentavam em detalhes e cenas individuais.
Xavier Miserachs, Calle Pelayo, Barcelona, 1962. Coleccção Fundación Foto Colectania
Xavier Miserachs, Piropo en la Via Layetana, Barcelona, 1962
Oriol Maspons, defendia uma fotografia espontânea, documental, independente das artes plásticas e do cinema “distingui-la (à fotografia) do plano cinematográfico, que normalmente se cria com ficção”.
Oriol Maspons, Novillada en un pueblo de La Mancha, 1961
Maspons admirava Francesc Català Roca (filho de Català Pic) o único a fazer a ponte entre as vanguardias modernas dos anos 30 e as vanguardas da fotografia documental dos anos 50.
Francesc Català Roca, Señoritas paseando por la Gran Via, Madrid, 1953
Maspons recorda-se “ admirava-o pelo seu estilo divertido de trabalhar. Tirava fotografias, com uma velha Rolleiflex 6 x 6 à qual só restava uma terça parte de visão na sua superfície de enquadramento. Ele balançava-a para poder ver tudo e compor a imagem. No laboratório, não usava marginador. Uma caixa de fósforos das antigas, na qual apoiava a folha de papel de provas era suficiente. Não utilizava relógio no ampliador, ia repetindo o nome Kodak, Kodak, Kodak,...com um segundo exacto de intervalo...com o revelador também fazia coisas estranhas, como ter dois recipientes de concentrações diferentes”. Paco Gómes, em que a honestidade era a base de toda a verdadeira obra de descrição, criou uma linguagem original na fotografia da época.
Paco Gómez, s/t 1958. Colecção Fundación Foto Colectania
Paco Gómez, S/t, 1958. Colecção Fundación Foto Colectania
Joan Colom, é hoje memorável pela reportagem que fez ao sub-mundo social de Barcelona, fotografias publicadas no seu livro “Izas, rabizas y colipoterras”, 1964.
Todos estes fotógrafos foram alguns dos membros principais para além dos fundadores.
Carlos Pérez Siquier, La Chanca (Almeria) 1962
Carlos Pérez Siquier, Roquetas, 1975. Colecção Fundación Foto Colectania

A importância da AFAL foi decisiva para dar a conhecer internacionalmente a fotografia espanhola. Para além das exposições organizadas em Almeria no Salão de Inverno entre 1956 a 1959, a AFAL estabeleceu contacto com outros grupos significativos como La Bussola em Milão, Les 30 x 40 em Paris, o Centre Culturel de Charleroi de Bruxellas, o Fotoform na Alemanha, e participou em bienais e exposições colectivas, em Itália, Bélgica, França, Alemanha e na URSS, a fotografia espanhola começou a ser conhecida no estrangeiro. Editou também a revista AFAL, com 36 números desde 1956 a 1962.

Nos anos 60, a fotografia documental que caracterizou o grupo AFAL mostrava desgaste e chegava ao fim a noção de fotografia como um fim, em que a informação era o suporte. Opunha-se então a noção de fotografia como meio, utilizada por diferentes práticas artísticas, cujo suporte eram agora as ideias. O grupo e a sua revista chegavam ao fim.
Pablo Juliá o actual director do Centro Andaluz de Fotografia, em Almeria faz reavivar essa memória ao editar AFAL.

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quinta-feira, novembro 22, 2007

Thanksgiving

Reza a história que em 1620, um barco carregado de gente corajosa atravessava o Atlântico em direcção ao Novo Mundo. Os primeiros colonos chegavam a América, mas chegavam tarde para as sementeiras. Nesse primeiro ano metade da população viria a morrer de fome. No ano seguinte, com a ajuda sábia dos índios, a terra do Novo Mundo deu o seu melhor ao Homem. O Homem quis agradecer a Deus e à terra as tão boas colheitas, e celebrou um jantar para agradecer tão boa dádiva. “Thanksgiving”, Acção de Graças, é uma festa móvel, como quase todos os feriados americanos, e a data escolhida, a quarta quinta-feira do mês de Novembro.

Há uma semana atrás, num esforço para reduzir os atrasos dos aviões, o Presidente Bush veio dizer à nação “that the U.S. military was making some restricted airspace along the East Coast available to commercial carriers over the busy Thanksgiving travel period”. Ainda hoje, jantar em família no dia de Acção de Graças é tão importante que o staff da aviação federal tem como objectivo máximo “keeping flights on time”.

Ontem, os traders das bolsas americanas davam “Giving Thanks, Taking Losses”, pois os mercados continuam a corrigir com a crise dos empréstimos de baixa qualidade, a queda do dólar e a subida do barril de petróleo que já está bem perto dos $100, mas todos partem para o Thanksgiving.
Mesmo em tempos de crise, como foi a época da grande recessão, em que o celeiro da América se transformou em pó pela seca que abateu no Midwest, (e que na actualidade vive outra terrível seca), o jantar de Acção de Graças é sagrado e na família do Sr Timothy Levy Crouch não faltam as tão célebres tartes de abóbora. O perú, certamente também não falta, embora nós ao olhar para a mesa através do espelho da sala não o vejamos, mas Jack Delano, certamente nos confirmaria que o perú não faltou à família de Timothy Levy, que na quarta quinta-feira do mês de Novembro do ano de 1940 celebrava mais um jantar de Acção de Graças.
Jack Delano, Tartes de abóbora e maçã e jantar de Acção de graças em casa do Sr. Timothy Levy Crouch, um Rogerine Quaker, Ledyard, Connecticut, Novembro 1940

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quarta-feira, novembro 21, 2007

PARA SEMPRE de Paulo Nozolino

Martin Parr esteve em Portugal e na ArteLisboa falou da sua obra como fotógrafo e editor.
Martin Parr, em conjunto com Gerry Badger editou “The Photobook: A History”, dois volumes maravilhosos sobre livros fotográficos, aos quais me referi quando anunciei a sua vinda.
Martin Parr conversou com Sérgio B. Gomes. Ontem o jornal Público publicou a entrevista e Sérgio B. Gomes transcreveu-a no seu blogue ArtePhotographica para os que não leram o jornal, e para os que não foram à conferência Sérgio B. Gomes fez o vídeo.
Interrogado sobre os livros fotográficos portugueses, Parr diz que nenhum, excepção para o “Lisboa, Cidade Triste e Alegre”, lhe despertou a atenção. Mas em resposta à pergunta: Conhece o trabalho dos fotógrafos portugueses, Parr responde: “não, não posso dizer que conheça muita coisa. Conheço o trabalho do Paulo Nozolino, que é mundialmente conhecido, mas também não sou muito bom a lembrar-me dos nomes. Ando por 50 países e vou tentando perceber alguma coisa da cultura fotográfica desses países...”.
Martin Parr conhece o trabalho de Paulo Nozolino, mas nenhum dos seus livros entrou em “The Photobook: A History”.
Aproveito então para mostrar ao leitor um dos primeiros livros de Nozolino, “Para Sempre”, (1982).
O livro termina com um soneto “LA VITA DELL’OMO”, (A vida do Homem), de Giuseppe Gioachino Belli (1791-1864), traduzido por Alexandre O’Neill.

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terça-feira, novembro 20, 2007

A evolução da melancolia

Este mês a revista “Magazine Littéraire”, publica um Hors-Série dedicado ao tema “Mal de vivre ou quête de soi – La Solitude”. Os artigos organizados cronologicamente, iniciando em Homero e terminando em Paul Auster, revelam os poetas e os escritores que ao longo dos séculos se debruçaram sobre o tema, solidão, dando conta da evolução e dos vários significados que esta foi sofrendo, desde os primórdios até a actualidade. O artigo “Visions d’artistes” de Jean Clair, historiador, comissário e ex-director do museu Picasso, fala-nos das imagens que escolheu para ilustrar os artigos. Se o “Gigante” de Goya , 1818,
ilustra o texto sobre Homero “Tous ceux qui avaient évité la noire mort (...) étaient rentrés dans leurs demeures; mais Ulysse restait seul, loin de son pays et de sa femme”, Odisseia, século VIII a.C, “Interior com jovem ao piano” de Vilhelm Hammershoi
termina a ilustrar o texto sobre Paul Auster “Je crois, malgré tout, que chaque persone est seule tout le temps. On vit seul. Les autres nous entourent mais on vit seule.”, pensamentos que Auster desde cedo foi anotando e que hoje reconhece manter nos seus romances. Em 2005, o Grand Palais de Paris exibiu “Mélancolie – génie et folie en Occident” comissariada pelo mesmo Jean Clair. O melancolico, o solitário, isolado do mundo onde vive, foi o tema que durante mais de dez anos ocupou Jean Clair, e o resultado foi esta deslumbrante exposição. A palavra melancolia, remonta ao século IV a.C. Em grego, melankholia é formada pela associação de dois termos: kholé (bílis) e mêlas (negro) e significa literalmente “bílis negra” um dos quatro fluidos humanos segregados pelo baço. "Bílis negra" era evocada como uma doença ligada ao humor. Cícero, no século I a.C. ligou melancolia à loucura e propôs substituir o termo por furor. Ao longo dos tempos, a palavra melancolia, foi-se perpetuando sobre outros nomes, e o seu significado foi-se transformando consoante as épocas. Aristóteles, foi o primeiro a abandonar a associação de melancolia a uma doença para a associar ao homem de génio, e a partir do filósofo, melancolia foi associada à imaginação. Longe da Grécia, nos desertos do Egipto e da Síria surgia a acédia. No início do século IV muitos ermitas e anacoretas numa ruptura com a sociedade que achavam agonizante, partiram para os desertos para praticar o anacorismo. Foi nos desertos do Médio Oriente que surgiu a palavra acédia, uma versão da melancolia que significava apatia ou indiferença. Desviada da contemplação divina a mente dos anacoretas entregava-se à imaginação. Com o rosto apoiado na concha da mão e ar pensativo criava-se o estereótipo da melancolia que dura até aos dias de hoje.
A partir do século V. a acédia passa para o Ocidente medieval, pelo monge Jean Cassien. Ao longo de toda a idade média, a tradição grega de melancolia e a tradição oriental de acédia, misturam-se e sob a tutela de Saturno e Satanás acabam por designar o pior que se pode abater sob o homem. Melancolia e acédia significam agora a mesma coisa: uma tristeza nascida na confusão do espírito, um desgosto, ou amargura imoderada da alma, e é vista pelos cristãos como um pecado a evitar. Neste detalhe do quadro de Bruegel, o Velho, (1559),
é o diabo que assume a posse melancolica.
É a Renascença que retoma a tradição aristotélica de associar a melancolia ao homem de génio, e a famosa gravura de Dürer, Melencolia I, (1514), é a obra paradigmática.
O morcego que vive na escuridão e gosta de sair ao crepúsculo, o terceiro quadrante do dia associada à melancolia, tem inscrito o título nas suas asas.
É ao crepúsculo que Gregory Crewdson fotografa os estados depressivos de quem habita hoje os subúrbios. Crewdson nas encenações que produz e fotografa, procura respostas nas suas memórias de infância. Agora na actualidade, melancolia é associada a depressão.
Mas voltemos à gravura de Dürer, e à figura central, uma mulher alada e coroada, com um compasso numa das mãos e a cara apoiada na outra. O olhar, como indicam os olhos abertos está concentrado, mas a figura olha para algo que está invisível, fora já da gravura. Espalhados vemos o esquadro, ampulheta, balança... e símbolos da crucificação, escadas, pregos e martelo. Logo por cima da coroa, em destaque, o quadrado mágico, cujas linhas, colunas e diagonais somam sempre 34.
Todos estes objectos fazem uma clara referência ao conhecimento matemático e geométrico. O cão, outro companheiro da melancolia, e mais em cima um enorme dodecaedro irregular. Se o crepúsculo é a hora do dia associada à melancolia, o chumbo, o metal escolhido por Anselm Kiefer para o seu trabalho Melancholia,
é o metal associado à melancolia. A escultura de Kiefer, apresentada já na parte final da exposição, evoca o bombardeiro, messerschmidt, produzido na Alemanha no final de 1944, e tem em cima o poliedro de Dürer. Para Kiefer são os efeitos da genialidade no mundo actual.
Com o século das Luzes, Diderot em “La religieuse”, (1760), escreve “L’homme est né pour la société. Séparez-le, isolez-le, ses idées se désuniront, son caractère se tournera, mille affections ridicules s’élèveront dans son coeur des pensées extravagantes germeront dans son esprit comme les ronces dans une terre sauvage”. Os filósofos das luzes substituem os valores do céu pela terra e substituem o individual por ideais comunitários. Segue-se o Romantismo, que será o último refúgio da melancolia. O sagrado sublime transfere-se para a natureza. O homem pratica novamente a acédia, agora na contemplação da natureza. O mal do mundo, “weltschmerz” para os alemães, os ingleses chamar-lhe –ão “spleen”. O homem isolado contemplando a natureza é o tema de Caspar David Friedrich.
Em 1878, Charcot cria na Salpêtrière um laboratário de fotografia dedicada à medicina. Sigmund Freud trabalha nesta altura com Charcot na Salpêtrière. A melancolia transforma-se em neurastenia. Na exposição, a única referência à fotografia é limitada aos estudos experimentais de Guillaume Duchenne de Boulogne. Numa parede, as fotografias dos seus estudos electrofisiológicos da expressão das paixões. Duchenne de Boulogne submetia os músculos da cara dos doentes a impulsos eléctricos.
Duchenne de Boulogne, 1852-1856
Duchenne de Boulogne, Mecanismes de la physionomie humaine 1862

Em 1915, Freud compara melancolia ao luto, ambas causam “uma depressão profundamente dolorosa, é suspenso o interesse pelo mundo exterior e a perca da capacidade de amar leva à inibição de qualquer actividade”, mas distingue a melacolia do luto, porque a melancolia provoca também “uma diminuição do sentimento de estima de si próprio”. No luto o objecto perdido é identificado, o mesmo não se passa num estado melancólico. É a última transformação da melancolia - a depressão.
A exposição terminava com “New York Movie” de Edward Hooper, testemunho que os espaços públicos são hoje os locais de solidão, e com a escultura gigante (Big Man) de Ron Mueck, (2000).
Ron Mueck, 2000

No país de Atget, imperdoável a limitação a Duchenne de Boulogne. Mas quem se dirigisse à livraria do Grand Palais, nas duas enormes mesas repletas de livros sobre o tema da exposição, encontrava “Eugène Atget ou la mélancolie en photographie” de Alain Buisine.
Mas se Alain Buisine vê em Atget um fotógrafo melancólico, outros fotografaram as várias formas de solidão do homem moderno.
André Kertész fotografou os que procuram a solidão.
André Kertész, Convento trapista, revista VU, 1930

Paul Strand em França, fotografou o olhar penetrante deste jovem,
Paul Strand, Young Boy, Gondeville France, 1951

um olhar de solidão interiorizada. Esquizofrénico? depressivo profundo?
Chris Killip fotografa a solidão imposta, a discriminação social, os rejeitados pela precaridade da vida, a solidão mais terrível da nossa sociedade.
Chris Killip, Boy on a wall, Jarrow, 1976

Taryn Simon fotografa a solidão dos reclusos condenados ao isolamento.
Taryn Simon, 2004

Carlos Miguel Fernandes fotografou na Islândia o homem a sós com a natureza.
Carlos Miguel Fernandes, Islândia, 2006

Mas não são estas fotografias do japonês Ueda Yoshihiko a melhor tradução de uma viagem ao interior de si?
É a alma (tamashii) que sai do corpo ou o inverso? A fotografia é estática ao contrário do cinema, mas olhando para estas fotografias sentimos que o curso da vida continua a correr.
As fotografias são da série Amagatsu, 1990-1993

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