
No final do ano passado, e em colaboração com Ana Barata, Furtado publicou um ensaio “Mundos da Fotografia: Orientações para a constituição de uma biblioteca básica” editado pelo Centro Português de Fotografia (CPF). O livro é referência para qualquer instiuição que deseje iniciar ou completar uma biblioteca básica de livros fotográficos. Gosto de livros fotográficos e achei interessante esta iniciativa do Arquivo. Ontei fui ao Arquivo de Lisboa assistir à apresentação de José Afonso Furtado.
Inevitávelmente Furtado começou por apresentar os dois livros, que falam da história dos livros fotográficos: “The Book of 101 Books” de Andrew Roth editado por PPP Editions em associação com Roth Horowitz LLC, New York 2001,
Inevitávelmente Furtado começou por apresentar os dois livros, que falam da história dos livros fotográficos: “The Book of 101 Books” de Andrew Roth editado por PPP Editions em associação com Roth Horowitz LLC, New York 2001,

e os dois volumes de Martin Parr e Gerry Badger “The Photobook: A History” editado pela Phaidon em 2004 e 2006 respectivamente. A qualidade de impressão é excepcional quer no 101 Books, quer nos dois volumes do Photobook.

Andrew Roth, na sua introdução refere “...a book had to be a thoroughly considered production; the content, the mise-en page, choice of paper stock, reproduction quality, text, typeface, binding, jacket design, scale – all of these elements had to blend together to fit naturally within the whole.” É criticando o que Roth escreve sobre o que deve ser um livro fotográfico que Furtado inicia a sua apresentação. Para ele o livro de Roth está cheio de incoerências, tendo em conta o que lemos na introdução. Furtado dá exemplos:" Roth quis apresentar Paul Strand, mas certamente não gostava dos livros de Strand, “Paese”, o livro que fez em França, escolheu então uma revista, a Camera Work


para apresentar o trabalho fotográfico de Strand. Camera Work é uma revista, não é um livro fotográfico" diz Furtado. Daria razão a Furtado e a justificação até seria interessante, se o livro “La France de Profil”, 1952, de Strand, o tal livro que fez em França, não viesse referido na página 136.

Não vira Furtado o livro todo? E continuou, "Gilles Peress, “Telex Iran”, 1983 é outro exemplo. Peress tirou aquelas fotografias para cobrir a guerra, não para fazer um livro, o mesmo se pode dizer com o livro de Lisette Model, 1979," continua Furtado e outro exemplo ainda, o “Every Building on the Sunset Strip”, 1966, de Edward Ruscha. "As edição de Ruscha são de má qualidade não seguem os princípios de Roth, (reproduction quality), a edição de Sunset não tem qualidade". Mais á frente na sua apresentação, Furtado volta a este livro de Ruscha e diz," ele fotografou todos os edifícios desta avenida, não sei que avenida é esta nem sei bem onde fica se em Hollywood, Los Angeles... não sei. Ele fotografa e regista todos os edifícios pares e ímpares e dispõe desta forma", mostra a reprodução,

neste livro em harmonio.
Furtado tem razão, os livros de Rucha não têem a qualidade que Roth diz ser necessária. Ruscha não estava interessado na qualidade das reproduções, não considerava os seus livros artísticos, embora as edições limitadas dos seus livros atingem hoje os preços mais elevados no mercado dos livros fotográficos. Para mim, os elevados preços justificam-se “Every Building on the Sunset Strip”, é dos livros fotográficos mais criativos. Los Angeles extende-se na horizontal, e é a horizontalidade desta cidade que inspirou Ruscha, todos os edifícios do Sunset Strip, uma parte do interminável Sunset Boulevard, foram fotografados e minuciosamente montados num livro desdobrável de 8,20 metros. Ao contrário de Furtado, que não se interessa em saber onde ficam, a localização geográfica destas fotografias é primordial para entender a criatividade do livro, é a horizontalidade de Los Angeles que Ruscha reproduz em harmonio. (no post Los Angeles é cinema, 24/02/2007 incluí o mapa geográfico).
Passavamos então á selecção dos livros fotógraficos que Furtado queria apresentar. "“The pencil of nature”, 1844 de Fox Talbot, e o processo laborioso como esses primeiros livros foram feitos, ainda não tinha sido inventada a técnica que permitia a impressão simultânea de texto e imagem, cada imagem era colada manualmente no livro, hoje um trabalho que nos parece impensável", prossegue Furtado. Segue com “American Photographs”, 1938 de Walker Evans.
Furtado tem razão, os livros de Rucha não têem a qualidade que Roth diz ser necessária. Ruscha não estava interessado na qualidade das reproduções, não considerava os seus livros artísticos, embora as edições limitadas dos seus livros atingem hoje os preços mais elevados no mercado dos livros fotográficos. Para mim, os elevados preços justificam-se “Every Building on the Sunset Strip”, é dos livros fotográficos mais criativos. Los Angeles extende-se na horizontal, e é a horizontalidade desta cidade que inspirou Ruscha, todos os edifícios do Sunset Strip, uma parte do interminável Sunset Boulevard, foram fotografados e minuciosamente montados num livro desdobrável de 8,20 metros. Ao contrário de Furtado, que não se interessa em saber onde ficam, a localização geográfica destas fotografias é primordial para entender a criatividade do livro, é a horizontalidade de Los Angeles que Ruscha reproduz em harmonio. (no post Los Angeles é cinema, 24/02/2007 incluí o mapa geográfico).
Passavamos então á selecção dos livros fotógraficos que Furtado queria apresentar. "“The pencil of nature”, 1844 de Fox Talbot, e o processo laborioso como esses primeiros livros foram feitos, ainda não tinha sido inventada a técnica que permitia a impressão simultânea de texto e imagem, cada imagem era colada manualmente no livro, hoje um trabalho que nos parece impensável", prossegue Furtado. Segue com “American Photographs”, 1938 de Walker Evans.

Para Furtado o exemplo perfeito, pois um livro fotográfico, como nos dissera anteriormente, é mais que a soma de todas as fotografias. "O prefácio escrito por Lincoln Kirstein em “American Photographs”, acentua a importância do layout e a sequência das fotografias. Ao folhearmos o livro o fluxo de associações é magnifica", e Furtado mostra-nos a fluidez dessas imagens. No pr
efácio, Kirstein refere que a sequência do livro é comparável ao princípio de montagem cinematográfica de Sergei Eisenstein. Passa para “Let us now Praise Famous Men”, 1941 também de Evans e feito em conjunto com James Agee, e de outros que também pertenceram à FSA, “American Exodus: A Record of Human Erosion”, 1939, de Dorothea Lange. Passava duas horas da apresentação, quem assistia ia saindo, Furtado, com o entusiamo de querer dizer tudo perdia-se em muitos detalhes. Segue-se Robert Frank com “The Americans”, 1959 a versão americana, fala da influência de Evans no seu trabalho, e mostra-nos as duas primeiras imagens do livro (pode vê-las no post Robert Frank, 2/05/2007)."O que liga estas duas imagens tão diferentes", pergunta-nos Furtado. A resposta é "Hoboken o local onde ambas as fotografias são tiradas é o elo de ligação, é importante nas fotografias de Frank a referência do local" diz-nos Furtado. E inevitálvelmente Furtado mostra do livro de Parr e Badger “Lisboa cidade triste e alegre”, 1959,
efácio, Kirstein refere que a sequência do livro é comparável ao princípio de montagem cinematográfica de Sergei Eisenstein. Passa para “Let us now Praise Famous Men”, 1941 também de Evans e feito em conjunto com James Agee, e de outros que também pertenceram à FSA, “American Exodus: A Record of Human Erosion”, 1939, de Dorothea Lange. Passava duas horas da apresentação, quem assistia ia saindo, Furtado, com o entusiamo de querer dizer tudo perdia-se em muitos detalhes. Segue-se Robert Frank com “The Americans”, 1959 a versão americana, fala da influência de Evans no seu trabalho, e mostra-nos as duas primeiras imagens do livro (pode vê-las no post Robert Frank, 2/05/2007)."O que liga estas duas imagens tão diferentes", pergunta-nos Furtado. A resposta é "Hoboken o local onde ambas as fotografias são tiradas é o elo de ligação, é importante nas fotografias de Frank a referência do local" diz-nos Furtado. E inevitálvelmente Furtado mostra do livro de Parr e Badger “Lisboa cidade triste e alegre”, 1959, 
o livro que todos nós conhecemos, editado práticamente na mesma altura, mas infelizmente tem gralhas," irritam-me gralhas" diz Furtado. Momentos antes, ao falar das peripécias do “road trip”, 55-56, de Frank pela estrada americana Furtado também ele se engana. E conta "Frank nessa viagem chegou a estar preso, para se ver livre Frank diz aos polícias que conhece Steichen, mas Steichen ainda não era conhecido, a exposição “The Family of Man” viria mais tarde" diz a sorrir Furtado que já nos revelara o desprezo por tal exposição e livro. A história contada por Frank é diferente: um dia no Arkansas a polícia prende-o. Perguntam-lhe, o que está a fazer? Frank responde sou bolseiro Guggenheim. Quem é Guggenheim?. Furtado talvez quissese dizer Guggenheim ou talvez Evans, a quem Frank pede ajuda para o livrar da situação. Errar é humano, só quem não escreve ou dá conferências é que não os dá. Mas o que Furtado nos diz sobre “The Family of Man” que era exibida nesse ano, já para mim revela o verdadeiro desprezo que tem a Steichen pelo trabalho que fez no MoMA. Furtado, parece partilhar o sentimento de Beaumont Newhall há 50 anos atrás, (ver post Revista “VU”, 3/01/2007) que se demite horrorizado quando sabe dos planos de Steichen para o departamento de fotografia do MoMA. Passou meio século e gostando ou não do livro, julgo que devemos olhar hoje para essa exposição como um reflexo da época, o sentido humanista partilhado em muito pelos fotógrafos franceses e a importância e influência que na altura tinham os foto-ensaios da revista Life. Mas continuemos, e a seguir ao livro “Lisboa cidade Triste e Alegre”, Furtado fala em “New York, Life is good & good for you in New York”,1956 de William Klein editado 3 anos antes. Pela próximidade da edição, é constante entre nós, lembro-me do seminário coordenado por Lúcia Marques que teve lugar há dois ou três anos na Gulbenkian sobre o livro “Lisboa cidade Triste e Alegre”, onde se acentuou também a edição quase simultânea destes livros. A razão que me levou a escrever o post está precisamente nestes três livros. Editados com poucos anos de distância porque não compará-los e olhar para as diferenças e semelhanças. Já escrevi sobre o livro de Lisboa (post Cinema e Fotografia, 14/01/2007), “The Americans” o post é recente, falta William Klein, sobre o qual em breve queria mostrar, para o leitor finalmente percepcionar a criatividade de cada um deles, não basta a referência à proximidade editorial.
Eram quase 9 horas, a apresentação começara às 6, mas o final da apresentação foi feliz, Furtado termina com os livros de Blaufuks," também ele", diz "cola manualmente as polaroids, e regressamos com Blaufuks ás origens, ao livro de Fox Talbot".
Eram quase 9 horas, a apresentação começara às 6, mas o final da apresentação foi feliz, Furtado termina com os livros de Blaufuks," também ele", diz "cola manualmente as polaroids, e regressamos com Blaufuks ás origens, ao livro de Fox Talbot".
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